Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Crítica: S. Darko

 Donnie Culti

Sinopse: Na continuação de "Donnie Darko", a irmã caçula de Donnie, Samantha Darko, e seu melhor amigo, Corey, estão com 18 anos. Durante uma viagem para Los Angeles, os dois são atormentados por visões bizarras.

Aiaiai... "Vai sair a continuação do Donnie Darko". Essa foi mais uma daquelas frases que ouvi e me causou arrepios instantâneos.
E o pior é a curiosidade que faz com que eu ainda perca 2h dessa preciosa e curta vidinha numa esperança morta antes de nascer para tentar achar algum ponto forte no filme.
A trilha sonora! Ufa... Cocteau Twins e mais algumas pérolas. E só!
De resto é muita bizarrice (não a bizarrice muito louca do primeiro e único Donnie), e um quinhão de tentativas de cenas impactantes e confusão sem amarração, num esforço patético de ressucitar os arquétipos do universo criado por Richard Kelly.
A verdade nua e crua é que essa irmã mais nova jamais teve motivos para aparecer mais velha e o universo de Donnie se encerra em si mesmo; resquícios e outras viagens são apenas para nível pessoal, cada um com o seu.
Pior que a continuação de Matrix só essa mesmo. Mas não, vocês não conseguiram matar o eterno cult do coelho Frank, apenas fazer eu perder 2h com bobagens de um roteiro escroto de fãs meia tigela, que não sabem qual é o lugar de um bom fã.

Da próxima vez, CRIEM!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Crítica: O Lutador

Na Pele do Carneiro

"Uma rara convergência harmônica de ator e papel"
                                                            Newswek - David Assen

Astro de luta livre nos anos 80, Randy "The Ram" Robinson foi esquecido na década seguinte, e agora vive uma vida bem distante do glamour. Trabalhando num supermercado e lutando de segunda num ginásio, descobre um problema cardíaco após sofrer infarto. A história acompanha sua tentativa de reconciliação com a filha e o relacionamento com uma stripper enquanto vive o dilema de voltar ou não aos ringues para uma luta especial, e com isso arriscar sua vida, contrariando ordens médicas para que não lute mais.


Profundo, pesado e sincero este "O Lutador". Graças a direção de Darren Aronofski, que tem como marca registrada ir a fundo nos temas de seus filmes- veja "PI" ( matemático que descobre a lendária sequência universal de números que regem a vida), "Réquiem para um Sonho" (vício em drogas lícitas e ilícitas), "Fonte da Vida" (busca pela fonte da juventude)- nos sentimos lado a lado de Randy o tempo todo, que é captado pela câmera em primeira pessoa. São duas horas na pele do personagem, em que comemos, dormimos e lutamos com ele. Impecável atuação de Mickey Rourke, num papel que se confunde um pouco com sua vida real, na qual lutou boxe durante cinco anos e fez várias cirurgias de reconstrução facial. Uma trilha sonora maravilhosa, que cai como uma luva para a história com Accept, Quiet Riot e Guns N' Roses no clímax da trama com "Sweet Child O'Mine". Sem contar a música tema "The Wrestler" do velho guerreiro Bruce Springsten, mais uma grande injustiça do Oscar, que sequer a indicou como melhor canção.

Entre a dor e a glória, entre uma bela filha e uma provocante stripper vive Randy; "um pedaço velho e quebrado de carne", segundo o próprio, devido aos excessos de uma vida completamente desregrada. Este é "The Ram" (O Carneiro), um homem que só quer continuar, mesmo que para isso tenha que sacrificar a única coisa que lhe resta.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Crítica: Entrails

 Bem - Vindo ao Caos

Acaba de sair do forno Entrails, primeiro álbum da banda Umbilichaos. O trabalho foi gravado por Bernardo Pacheco ( Elma, Are You God?, Ratos de Porão, Presto), mixado e masterizado por Henrique Pucci (Paúra, Fim do Silêncio, Desalmado).

Muitas perguntas rondarão a cabeça, e muita reflexão será resultado certo da experiência som/imagem causada por este trabalho. À começar pelo belo encarte, que traz na capa o desenho de... um rosto?, uma vagina?, uma garganta?. Abra a caixinha e ponha para tocar o... EP?, LP?. Bom, são três faixas, sendo que duas alcançam quase a marca de vinte minutos! o que não é nem um pouco ruim, devido a viagem proporcionada por tais.

É hora do som! Space Rock, Stoner, Progressivo... Podem se mesclar infindáveis referências numa massa sonora cheia de personalidade, autêntica, original. Você sente as influências, mas não consegue decifrá- las, pois vagam pela atmosfera do disco, no ar, sem que possamos tocar.

A sensação que se tem ao ouvir Entrails é a de levar um soco no estômago, lento e constante, de punhos tão cerrados que a ponta dos dedos sangra a própria pele do agressor como se fosse ao mesmo tempo uma briga e auto-punição. O soco atravessa a pele e a palma da mão se abre, passando pelos órgãos sem tocá- los, com movimentos sutis, limpos e precisos. Então a mão se abre e as pontas dos dedos começam a corroer os ossos com unhas enormes e afiadas, em movimentos repetitivos, mecânicos. Os punhos abrem e fecham revelando a cada baforada esfumaçante do agressor uma nova dose de adrenalina que faz com que um mantenha o outro de pé, pois um depende do outro. A coexistência depende de um adversário, alguém em quem passar a rasteira e tirar a bandeira no topo, mantendo-se Deus por alguns segundos, antes que a fila dos prazeres umbilicais ande; sexo- brutal, feira de estupros coletivos em paisagens desoladoras, repletas de destroços e harmonizada por gritos desesperados, de uma mórbida esperança.

Estes são alguns dos sentidos causados; uma viagem, uma leitura provocada por Entrails. Muito mais que guitarras, baixo e bateria (eletrônica); um sentido de vida, uma viagem profunda adentro a alma dissecada de um artista. Esta é a Umbilichaos, em algum porão fazendo "barulho", no subterrâneo, infelizmente à mercê de uma cidade inóspita no que se refere espaço para a arte local.

Entre no myspace da banda e ouça "Speculum Phase". Baixe o ábum, divulgue, pirateie, e tenha algo decente do que se orgulhar. www.myspace.com/umbilichaos

terça-feira, 11 de maio de 2010

Crítica: Uma Vida sem Regras

Além do Crepúsculo
Já livre de pré-conceitos, assisti Uma Vida sem Regras, protagonizado pelo astro teen da saga Crepúsculo Robert Pattinson. O ator por sinal, está muito bem num estilo shoegazer-desengonçado. Ele faz o papel de Art, um adolecente na crise dos 20 anos e músico frustrado que acaba de tomar um fora da namorada. Fora sério problemas de relacionamento com os pais, que se mostram frios ao longo de todo o longa para com o filho e entre si mesmos, como ilhas. Seus amigos também são garotos bem estranhos, e o interessante é que todas essas pessoas que estão em volta de Art revelam resquícios seus, como se fossem partes de sua personalidade complexada.

Melancólico e sem saber que rumo dar a sua vida, Art acaba se apegando ao livro "Não É Sua Culpa", de  um guru de auto-ajuda, o Dr Levi Ellington, e usando seu dinheiro de herança, paga o Dr Ellington para ele se tornar o seu instrutor em tempo integral, acompanhando-o aonde quer que vá. A jornada se torna ao tempo que dolorosa, engraçada, com as aparições surpresa do guru nos lugares mais absurdos ao longo da trama para aconselhá-lo nas mais diversas situações.

Robert surpreende neste filme e se mostra um ator promissor; outra coisa bem legal é de já estar buscando papéis diferentes e que o desafiem, para que não fique eternamente iconizado como o vampiro Edward- caso do estagnado Daniel Radcliffe (Harry Potter), por exemplo. O que é uma ótima forma de levar seu público atual, que é composto em sua grande parte por adolescentes, a uma evolução natural do apreciar da 7ª arte.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Êxodus no Navio do Folias


Está em cartaz “Êxodos – O Eclipse da Terra”, a mais nova peça do grupo de teatro Folias D' arte, e primeira encenação desde a morte do diretor, ator e dramaturgo Reinaldo Maia, um dos fundadores do grupo, que é considerado atualmente um dos melhores em atividade no estado de São Paulo.


O texto trata das imigrações reais e metafóricas de um grupo d personagens vindos de todas as partes do mundo. Com início no andar de cima do galpão, o capitão do navio nos pergunta: "O que você sonhou esta noite?" E a partir dessa premissa começa a contar seu sonho, e leva todos para o térreo do galpão, onde a viagem começa.

Somos apresentados a cinco figuras, imigrantes em busca de uma vida melhor, que irão se deparar com inúmeros percalços e sofrer grandes transformações pessoais ao longo de sua trajetória, em quase três horas de peça, numa entrega total e impressionante dos atores.

Ao final do espetáculo, a impressão não é de que estamos saindo do galpão, mas sim de um navio, uma longa viagem, um tanto confusa em alguns momentos, devido a falta de clareza, mas fantástica em sua grande parte, apoiada visualmente por intervenções de artes plásticas precisas e o clima fiel ao mar insano, agitado e voraz da vida de quem busca seu lugar ao Sol.


Serviço:
Galpão do Folias
Rua Ana Cinta, 213, Santa Cecília - (11) 3361-223
De 4 de fevereiro a 30 de maio
Quinta a sábado, 21h; domingo, 20h.,
Valor: R$ 30,00

Crítica: A Fita Branca

Menos para mais
Um vilarejo protestante no norte da Alemanha, em 1913, às vésperas da Primeira Guerra Mundial. A história de crianças e adolescentes de um coral dirigido pelo professor primário do vilarejo e suas famílias: o barão, o reitor, o pastor, o médico, a parteira, os camponeses. Estranhos acidentes começam a acontecer e tomam aos poucos o caráter de um ritual punitivo. O que se esconde por trás desses acontecimentos?

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o novo filme do diretor Michael Haneke, por outro ângulo, volta ao universo da violência, tema explorado em "Violência Gratuita" (2008), seu filme anterior.


O espectador acompanha uma história com alguns buracos, incertezas, propositalmente deixados por Haneke, através de um narrador que não é dos mais comuns, aquele quase Deus, onipresente, que destila uma trama em que nada foge aos seus olhos. “...assumir a mentira, é, paradoxalmente, o único meio de se aproximar da verdade histórica”, disse o diretor.
Em resgate a memória coletiva do início do século XX, o longa traz uma bela fotografia em P&B, apoiada por cenas em que a câmera registra estática atuações impecáveis, formando quadros marcantes.

Educação rígida e intolerante; famílias errantes, celas a que chamam pureza e vácuos ao término da sessão, deixam um silêncio mortal, em que a única coisa que se ouve, é a própria voz ecoando na cabeça, usufruindo do presente de Haneke, a liberdade de reflexão e interpretação do que foi visto. A união da audácia e da competência do diretor é tão eficaz que ele acrescenta ao tirar.

Crítica: Sherlock Holmes

Sherlock Holmes para a nova geração
Mais um personagem clássico ganha uma repaginada. Dessa vez é a cria de Arthur Conan Doyle; Sherlock Holmes.
Rober Downey Jr. dá leveza e humor sagaz ao personagem, através de um roteiro inteligente e cheio de sacadas geniais. Não podemos esquecer também de seu parceiro, o Dr. Watson, aqui interpretado por Jude Law.
Destaque também para a fotografia e cenários desconcertantes de uma Inglaterra de outrora.

Sherlock fuma seu cachimbo, toca seu bandolim e põe a cabeça para funcionar. Muito legal, aliás, as passagens em câmera lenta para mostrar seu lado calculista e minucioso na elaboração rápida de estratégias para situações-problema aparentemente sem solução. De cair o queixo, neste caso palmas aos roteiristas, a  forma como o maior detetive de todos os tempos explica como desvendou os mistérios da trama, recordando a época em que me divertia com as aventuras do herói no ginásio.

A parceria Holmes/Watson adquiri também um clima quase doentio de ciúmes, despertado pela iminente partida do Dr. prestes a se casar, e o tempo todo se mantendo pelo quase irmão inspetor-detetive.

Holmes é refinado como sempre, mas luta também e apanha um bocado neste ótimo filme, que dá o tempo todo a impressão de vacilo pelo clima sobrenatural, que  parece, prevalecerá sobre a ciência racional do herói, mas ganha a simpatia pós tensão do espectador no final.

Equilíbrio entre o entretenimento e bom roteiro são o ponto alto da saga, caso raro de aliança cinematográfica sem perder o fio da meada. E para encerrar, o jargão dispensado por besteira no longa, que acabou descaracterizando o personagem um pouco, orgulho tolo em fugir das raízes: Elementar meu caro Watson.

sábado, 8 de maio de 2010

Tá na Hora da Turma do Júlio!


Nossa, ontem estava num marasmo só, assistindo a TV desligada, pensando na morte da minha querida bezerra chiquinha e revezando entre a vigilância do sono e o sono vigilando de cochilos e despertares assustados com o barulho do maldito canto dos passarinhos-coitados- do meu maldito irmão. Mas um dos sustos não seria do canto do tico-tico ou sei lá que passarinho é aquele, e sim do meu sobrinho de 2 anos.
Ele me deu um tapa na perna e disse: - Cocólico.. cocólico...
E eu pensei:  "Mas que porra é essa?"
Perguntei pra mãe dele e ela disse que era o DVD do Cocoricó.
Coloquei a bagaça, e que surpresa! Me diverti pacas com as canções da fazenda, o "rock rural" como é chamado, talvez referência direta aos mestres Sá, Rodrix & Guarabira, Zé Ramalho, Zé Geraldo e outros...

O DVD é fantástico, muito divertido, e o que é mais legal; educativo de uma forma criativa e sem apelar para banalidades que deixam as crianças sem capacidade de reproduzir o aprendizado aplicando às situações do dia-a-dia depois, e sim apenas em repetições, como cópia mecânica enquanto assistem a obra.

Fiquei pensando, imagina se a Xuxa, por exemplo, fizesse uso do poder de comunicação que tem para instruir, ensinar... mas não, prefere ficar com aquelas bobageiras que atrofiam a cabeça das pobres e inocentes criancinhas, depois de já ter feito o mesmo com seus pais quando eram "baixinhos". Isso é verdade, porque a Xuxa já fodeu com umas três gerações, aquela cara de novinha não engana ninguém não.
Mas infelizmente é tudo parte do jogo diabólico da Roda Viva das mídias desse querido Brazil.

Depois desse pequeno afunilamento, voltando ao Cocoricó, Assistam! É bom dimais!