Uma noite silenciosa, um quarto de motel. Frente a penteadeira entrelaça nas mechas negras uma fita violeta. Olhos pintados, enegrecidos contrastam com a face pálida como a neve. Com um beijo a marca vermelha do batom figura o copo de vodka barata, esvaida num só trago pela gaganta deserta. O vestido negro se vai, deixando apenas o eco do salto pela memória...
A porta desliza devagar e um corpo esquálido de olhos fundos e ossos soltos surge. Caminha sem muita firmeza, pouco mais que um fantoche. Tem lá seu charme. Desliza pelo rosto sua mais nova herança; na mão direita um lenço branco com flores negras estampadas. Lenço de perfume e lágrimas. Uiva como um lobo para o céu de concreto em neon azul, cheio de velhos corpos que já não brilham, enferrujados. Tem uma estrela- mor que gira, gira, gira... e risca a face que além da matéria respira a última noite ainda, a única vivida no presente, e que assim conservará pelo resto das batidas.
Em tom suave acena para a lembrança, tão dilacerante mas tão boa que desvaloriza as outras. Um mal de alzheimer proposital aos fragmentos chamados verdade, da dor que mata e alimenta.
Olhos esfumaçantes de vinho e nostalgia queimam documentos, notas, gravatas e todas as peças da masmorra que ilude com o nome felicidade. Agora está tudo bem, nervos amortecidos, ombros relaxados e lábios doces, cheios do gosto da existêcia possível.
Por quadros renascentistas e melodias divinas caminha. Anjo, demônio, não humano! desacelera os passos, tolice. Respira.
Fecha a porta num adeus apaixonado, de mãos leves, quase pairando em vida própria, uma gaivota. E adormece com o veneno que todos gostariam de adormecer ou pelo menos sonhar. O veneno da euforia espiritual, do clímax corporal, da vida gozada como vida.
Mostrando postagens com marcador Textos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Textos. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 18 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Visão Mutilada ou A Busca
Em um sonho, Renée não reconheceu as coisas cotidianas que o cercavam. Talvez numa tentativa inconsciente e desesperadora de fugir da realidade que vivia. Ou será que essa tal realidade seria simplesmente um jogo de interesses maiores? Uma contradição real; "O senso comum mas não o senso de todos".
Renée é o jovem se preparando para o que chamam em algum lugar de O despertar da vida. E mais! Talvez seja eu, você..
Vestiu a pele do nome Filósofo e conseguiu, ou ao menos tentou se livrar dos grilhões e sair da caverna.
A Caverna. O Big Brother de Platão nos vigiando, censurando e controlando. Invadindo a mente, a alma. A alma remanescente que talvez já nem mereça tal nome. O resto de entre o sexo dos pais e a primeira palmada na bunda.
Você se solta, sai a vê além. A natureza! A natureza selvagem! A vida em seu estado puro, sem deturpações e medições do homem em seu pessoal que, por mera ambição, tenta estabelecer o um ao coletivo. Não há soma, e sim multiplicação em série.
Você retorna afim de salvar seus semelhantes, e risos e canivetes chovem em sua cabeça e lhe sangram até a morte dos sonhos. Será que os homens realmente não acreditam? Será que a risada não foi apenas um disfarce, tal qual uma armadura, para esconder o medo? O medo do desconhecido, da quebra de sua não cria, da tão difícil aceitação. Enfim, de sua própria luz.
E sem preparação não há aceitação para aquele que foi condicionado e teve seus sentimentos e cérebro massacrados pelo senso comum. O que resta é uma espécie de máquina, que se agarrou na única chance, esperança ou qualquer outro nome que se queira dar a isso. Eu diria esmola, a deficiência monocular de perspectivas.
O homem então vive na caverna, de olhos fechados, vendo o que todos vêem há muito tempo com os olhos de Leviatã.
O homem não morre. Sai rastejando e ferido. Não resiste ao sonho que se sonha só. Mas sua última visão foi de olhos abertos.
Adeus Renée, adeus eu, você em algum lugar no tempo. Em algum ponto de nossas pobres vidas, talvez o último agraciado com um pouco de orgulho.
Renée é o jovem se preparando para o que chamam em algum lugar de O despertar da vida. E mais! Talvez seja eu, você..
Vestiu a pele do nome Filósofo e conseguiu, ou ao menos tentou se livrar dos grilhões e sair da caverna.
A Caverna. O Big Brother de Platão nos vigiando, censurando e controlando. Invadindo a mente, a alma. A alma remanescente que talvez já nem mereça tal nome. O resto de entre o sexo dos pais e a primeira palmada na bunda.
Você se solta, sai a vê além. A natureza! A natureza selvagem! A vida em seu estado puro, sem deturpações e medições do homem em seu pessoal que, por mera ambição, tenta estabelecer o um ao coletivo. Não há soma, e sim multiplicação em série.
Você retorna afim de salvar seus semelhantes, e risos e canivetes chovem em sua cabeça e lhe sangram até a morte dos sonhos. Será que os homens realmente não acreditam? Será que a risada não foi apenas um disfarce, tal qual uma armadura, para esconder o medo? O medo do desconhecido, da quebra de sua não cria, da tão difícil aceitação. Enfim, de sua própria luz.
E sem preparação não há aceitação para aquele que foi condicionado e teve seus sentimentos e cérebro massacrados pelo senso comum. O que resta é uma espécie de máquina, que se agarrou na única chance, esperança ou qualquer outro nome que se queira dar a isso. Eu diria esmola, a deficiência monocular de perspectivas.
O homem então vive na caverna, de olhos fechados, vendo o que todos vêem há muito tempo com os olhos de Leviatã.
O homem não morre. Sai rastejando e ferido. Não resiste ao sonho que se sonha só. Mas sua última visão foi de olhos abertos.
Adeus Renée, adeus eu, você em algum lugar no tempo. Em algum ponto de nossas pobres vidas, talvez o último agraciado com um pouco de orgulho.
O Pássaro e o Canto do Precipício
Antony Hegarty é um clown de maquiagem borrada e esquecido pela alegria, que tem na música sua forma de se expressar e encontrar seus semelhantes. Tão dormente que já não sente o calor do Sol. Então espera pelo entardecer e à luz da Lua e das estrelas faz sua oração: " Esperança, há alguém que vai cuidar de mim quando eu morrer, terei de ir. "
Entra no cabaré, senta-se em frente ao piano e acompanhado por sua banda encarna os recentimentos e traumas do passado, cantando para os desajustados, esquecidos e rejeitados por sua natureza humana. Assim percorre a noite, repleta de solitários rostos caídos nas extremidades do vento, que ganham vez através de sua interpretação e em seus asseclas Lou Reed, Boy George, Rufus Wainwright, Devendra Banhart, Candy Darling, Nico Muhly e Kazuo Ohno dentre outros, seja em suas canções ou do outro lado do espelho, nas artes que formam as ruas de seu mundo.
Na voz encontra algum sentido. No tão sublime e delicado som de sua música, que muitas vezes chega a ser tão intensa e profunda que enleva o espírito e faz o ouvinte viajar em braços que mesmo desconhecidos o confortam.
Almas perdidas, atrocidades, viagem durante um ataque epiléptico, medo da solidão mesmo após a morte... Preconceito, violência, homofobia e ignorância, ao invés de sepultar de vez com a última pá de cal, se transformam num escudo transparente e intransponível, pois a verdade não tem do que se esconder quando combatente da opressão e da intolerância.
E Anthony canta como se sua voz saísse de todas as partes do corpo e carregasse todos os sentimentos do mundo; belos, dolorosos... Horas num crescente denso, gospel, poético, sombrio, envolvente. E cresce em espasmos onde por momentos parece que soltará um gás cintilante da garganta que irá nos enolver e levar a uma viagem pessoal, imaginária, surreal para dentro de si mesmo e ao universo em expansão para sempre.
Mais um adeus, outra perda, um reencontro tardio numa madrugada fria. Um garoto à beira do precipício, pronto para nascer de novo. Ele sabe que se pular irá cair, e mesmo assim o faz, pois lá no fundo reside um fio de esperança, acreditando que em algum momento poderá voar.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Sonho de uma Noite de Outono
Aguardou 5 minutos. Seus olhos ameaçavam aguar ao menor sinal de um passo, ainda que distante. Já era então uma eternidade para aquela situação.
Tinham se conhecido através de um site de relacionamentos, e já eram tão íntimos! Talvez um conhecesse ao outro melhor do que á si mesmo, tamanhas eram as revelações segregadas nos teclados.
Mas agora, finalmente se conheceriam, depois de 2 anos de bate- papo e fotos para depertar os sentidos.
No sétimo minuto, a imagem de uma das fotos começou a se mover em seus pensamentos e aquele corpo escultural disparava cada vez mais a frequência cardíaca, enquanto se movia sensualmente na fertilidade de sua imaginação...
Com isso Pepe começou a tremer, tamanho seu nervosismo. Foram á cama despidos e praticaram em celeste comunhão o ato sexual. Pepe suava freneticamente, afinal, jamais tivera uma mulher e isso já podia ser considerado o mais próximo que jamais conseguira em 32 anos de existência; um encontro.
De repente, um vestido vermelho apontou no horizonte. Era vermelho, como de combinado!
Tremia, suava ,e seus olhos se afogavam em lágrimas..... frágil e puro Pepe...
O vestido veio em passos compassados e lentamente na direção de um Pepe já embriagado e descontrolado pelo nervosismo. Um metro de um sonho, Pepe curvado, torto, quase beijava o banco que o sustentava. O perfume alcançou sua narinas; desequilíbrio e um abraço doloroso no chão do velho bosque.
O vestido passou lento, assustado e diretamente por um homem pálido e franzino, de olhos esbugalhados e fundos contorcido em meio ás folhas secas do outono, com sua ponte de safena estourada e um sorriso que mal cabia no rosto lavado a suor e lágrimas emocionadas.
Tinham se conhecido através de um site de relacionamentos, e já eram tão íntimos! Talvez um conhecesse ao outro melhor do que á si mesmo, tamanhas eram as revelações segregadas nos teclados.
Mas agora, finalmente se conheceriam, depois de 2 anos de bate- papo e fotos para depertar os sentidos.
No sétimo minuto, a imagem de uma das fotos começou a se mover em seus pensamentos e aquele corpo escultural disparava cada vez mais a frequência cardíaca, enquanto se movia sensualmente na fertilidade de sua imaginação...
Com isso Pepe começou a tremer, tamanho seu nervosismo. Foram á cama despidos e praticaram em celeste comunhão o ato sexual. Pepe suava freneticamente, afinal, jamais tivera uma mulher e isso já podia ser considerado o mais próximo que jamais conseguira em 32 anos de existência; um encontro.
De repente, um vestido vermelho apontou no horizonte. Era vermelho, como de combinado!
Tremia, suava ,e seus olhos se afogavam em lágrimas..... frágil e puro Pepe...
O vestido veio em passos compassados e lentamente na direção de um Pepe já embriagado e descontrolado pelo nervosismo. Um metro de um sonho, Pepe curvado, torto, quase beijava o banco que o sustentava. O perfume alcançou sua narinas; desequilíbrio e um abraço doloroso no chão do velho bosque.
O vestido passou lento, assustado e diretamente por um homem pálido e franzino, de olhos esbugalhados e fundos contorcido em meio ás folhas secas do outono, com sua ponte de safena estourada e um sorriso que mal cabia no rosto lavado a suor e lágrimas emocionadas.
Assinar:
Postagens (Atom)


