Em um sonho, Renée não reconheceu as coisas cotidianas que o cercavam. Talvez numa tentativa inconsciente e desesperadora de fugir da realidade que vivia. Ou será que essa tal realidade seria simplesmente um jogo de interesses maiores? Uma contradição real; "O senso comum mas não o senso de todos".
Renée é o jovem se preparando para o que chamam em algum lugar de O despertar da vida. E mais! Talvez seja eu, você..
Vestiu a pele do nome Filósofo e conseguiu, ou ao menos tentou se livrar dos grilhões e sair da caverna.
A Caverna. O Big Brother de Platão nos vigiando, censurando e controlando. Invadindo a mente, a alma. A alma remanescente que talvez já nem mereça tal nome. O resto de entre o sexo dos pais e a primeira palmada na bunda.
Você se solta, sai a vê além. A natureza! A natureza selvagem! A vida em seu estado puro, sem deturpações e medições do homem em seu pessoal que, por mera ambição, tenta estabelecer o um ao coletivo. Não há soma, e sim multiplicação em série.
Você retorna afim de salvar seus semelhantes, e risos e canivetes chovem em sua cabeça e lhe sangram até a morte dos sonhos. Será que os homens realmente não acreditam? Será que a risada não foi apenas um disfarce, tal qual uma armadura, para esconder o medo? O medo do desconhecido, da quebra de sua não cria, da tão difícil aceitação. Enfim, de sua própria luz.
E sem preparação não há aceitação para aquele que foi condicionado e teve seus sentimentos e cérebro massacrados pelo senso comum. O que resta é uma espécie de máquina, que se agarrou na única chance, esperança ou qualquer outro nome que se queira dar a isso. Eu diria esmola, a deficiência monocular de perspectivas.
O homem então vive na caverna, de olhos fechados, vendo o que todos vêem há muito tempo com os olhos de Leviatã.
O homem não morre. Sai rastejando e ferido. Não resiste ao sonho que se sonha só. Mas sua última visão foi de olhos abertos.
Adeus Renée, adeus eu, você em algum lugar no tempo. Em algum ponto de nossas pobres vidas, talvez o último agraciado com um pouco de orgulho.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Crítica: O Lutador
Na Pele do Carneiro
Astro de luta livre nos anos 80, Randy "The Ram" Robinson foi esquecido na década seguinte, e agora vive uma vida bem distante do glamour. Trabalhando num supermercado e lutando de segunda num ginásio, descobre um problema cardíaco após sofrer infarto. A história acompanha sua tentativa de reconciliação com a filha e o relacionamento com uma stripper enquanto vive o dilema de voltar ou não aos ringues para uma luta especial, e com isso arriscar sua vida, contrariando ordens médicas para que não lute mais.
Profundo, pesado e sincero este "O Lutador". Graças a direção de Darren Aronofski, que tem como marca registrada ir a fundo nos temas de seus filmes- veja "PI" ( matemático que descobre a lendária sequência universal de números que regem a vida), "Réquiem para um Sonho" (vício em drogas lícitas e ilícitas), "Fonte da Vida" (busca pela fonte da juventude)- nos sentimos lado a lado de Randy o tempo todo, que é captado pela câmera em primeira pessoa. São duas horas na pele do personagem, em que comemos, dormimos e lutamos com ele. Impecável atuação de Mickey Rourke, num papel que se confunde um pouco com sua vida real, na qual lutou boxe durante cinco anos e fez várias cirurgias de reconstrução facial. Uma trilha sonora maravilhosa, que cai como uma luva para a história com Accept, Quiet Riot e Guns N' Roses no clímax da trama com "Sweet Child O'Mine". Sem contar a música tema "The Wrestler" do velho guerreiro Bruce Springsten, mais uma grande injustiça do Oscar, que sequer a indicou como melhor canção.
Entre a dor e a glória, entre uma bela filha e uma provocante stripper vive Randy; "um pedaço velho e quebrado de carne", segundo o próprio, devido aos excessos de uma vida completamente desregrada. Este é "The Ram" (O Carneiro), um homem que só quer continuar, mesmo que para isso tenha que sacrificar a única coisa que lhe resta.
"Uma rara convergência harmônica de ator e papel"
Newswek - David Assen
Astro de luta livre nos anos 80, Randy "The Ram" Robinson foi esquecido na década seguinte, e agora vive uma vida bem distante do glamour. Trabalhando num supermercado e lutando de segunda num ginásio, descobre um problema cardíaco após sofrer infarto. A história acompanha sua tentativa de reconciliação com a filha e o relacionamento com uma stripper enquanto vive o dilema de voltar ou não aos ringues para uma luta especial, e com isso arriscar sua vida, contrariando ordens médicas para que não lute mais.
Profundo, pesado e sincero este "O Lutador". Graças a direção de Darren Aronofski, que tem como marca registrada ir a fundo nos temas de seus filmes- veja "PI" ( matemático que descobre a lendária sequência universal de números que regem a vida), "Réquiem para um Sonho" (vício em drogas lícitas e ilícitas), "Fonte da Vida" (busca pela fonte da juventude)- nos sentimos lado a lado de Randy o tempo todo, que é captado pela câmera em primeira pessoa. São duas horas na pele do personagem, em que comemos, dormimos e lutamos com ele. Impecável atuação de Mickey Rourke, num papel que se confunde um pouco com sua vida real, na qual lutou boxe durante cinco anos e fez várias cirurgias de reconstrução facial. Uma trilha sonora maravilhosa, que cai como uma luva para a história com Accept, Quiet Riot e Guns N' Roses no clímax da trama com "Sweet Child O'Mine". Sem contar a música tema "The Wrestler" do velho guerreiro Bruce Springsten, mais uma grande injustiça do Oscar, que sequer a indicou como melhor canção.
Entre a dor e a glória, entre uma bela filha e uma provocante stripper vive Randy; "um pedaço velho e quebrado de carne", segundo o próprio, devido aos excessos de uma vida completamente desregrada. Este é "The Ram" (O Carneiro), um homem que só quer continuar, mesmo que para isso tenha que sacrificar a única coisa que lhe resta.
O Pássaro e o Canto do Precipício
Antony Hegarty é um clown de maquiagem borrada e esquecido pela alegria, que tem na música sua forma de se expressar e encontrar seus semelhantes. Tão dormente que já não sente o calor do Sol. Então espera pelo entardecer e à luz da Lua e das estrelas faz sua oração: " Esperança, há alguém que vai cuidar de mim quando eu morrer, terei de ir. "
Entra no cabaré, senta-se em frente ao piano e acompanhado por sua banda encarna os recentimentos e traumas do passado, cantando para os desajustados, esquecidos e rejeitados por sua natureza humana. Assim percorre a noite, repleta de solitários rostos caídos nas extremidades do vento, que ganham vez através de sua interpretação e em seus asseclas Lou Reed, Boy George, Rufus Wainwright, Devendra Banhart, Candy Darling, Nico Muhly e Kazuo Ohno dentre outros, seja em suas canções ou do outro lado do espelho, nas artes que formam as ruas de seu mundo.
Na voz encontra algum sentido. No tão sublime e delicado som de sua música, que muitas vezes chega a ser tão intensa e profunda que enleva o espírito e faz o ouvinte viajar em braços que mesmo desconhecidos o confortam.
Almas perdidas, atrocidades, viagem durante um ataque epiléptico, medo da solidão mesmo após a morte... Preconceito, violência, homofobia e ignorância, ao invés de sepultar de vez com a última pá de cal, se transformam num escudo transparente e intransponível, pois a verdade não tem do que se esconder quando combatente da opressão e da intolerância.
E Anthony canta como se sua voz saísse de todas as partes do corpo e carregasse todos os sentimentos do mundo; belos, dolorosos... Horas num crescente denso, gospel, poético, sombrio, envolvente. E cresce em espasmos onde por momentos parece que soltará um gás cintilante da garganta que irá nos enolver e levar a uma viagem pessoal, imaginária, surreal para dentro de si mesmo e ao universo em expansão para sempre.
Mais um adeus, outra perda, um reencontro tardio numa madrugada fria. Um garoto à beira do precipício, pronto para nascer de novo. Ele sabe que se pular irá cair, e mesmo assim o faz, pois lá no fundo reside um fio de esperança, acreditando que em algum momento poderá voar.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Não se sinta única, porque você Não é
Não adianta pensar que é segredo
Querer se sentir diferente
Porque um soco no estômago dói pra valer
E uma noite de rodadas misturas deixa de ressaca.
Pare de fazer pose, pare de fazer pose.
No BANG caímos duros e frios
Na escuridão os vermes crescem
A dor acaba chegando sempre
De bobeira, cara de idiota, se corroendo.
Pare de fazer pose, pare de fazer pose.
Carros explodem
Passarinhos estilingados
Aviões caem
Trabalhadores estuprados
Um dia você terá rugas e buracos na cara
Um dia você irá brochar, você esquentará na menopausa
Um dia o dia sequer irá nascer
E terá sido mais uma noite perdida.
Querer se sentir diferente
Porque um soco no estômago dói pra valer
E uma noite de rodadas misturas deixa de ressaca.
Pare de fazer pose, pare de fazer pose.
No BANG caímos duros e frios
Na escuridão os vermes crescem
A dor acaba chegando sempre
De bobeira, cara de idiota, se corroendo.
Pare de fazer pose, pare de fazer pose.
Carros explodem
Passarinhos estilingados
Aviões caem
Trabalhadores estuprados
Um dia você terá rugas e buracos na cara
Um dia você irá brochar, você esquentará na menopausa
Um dia o dia sequer irá nascer
E terá sido mais uma noite perdida.
Teatro de Cachorro Grande
Hoje quero falar do documentário do Grupo Galpão. Um verdadeiro arraso.
Assisti a essa empreitada emocionante. E que história!
O DVD narra a trajetória desse que é considerado um dos maiores grupos de teatro do Brasil. Desde suas primeiras incursões com argentinos em worksops e oficinas e sua formação.
Artes circences, música, Teatro de Rua, drama rodriguiano, releituras de peças clássicas - Romeu & Julieta, O Inspetor Geral-, o que se tornaria uma marca do grupo, e sua apresentação no Globe Theater, primeiro grupo brasileiro a fazer uma apresentação de Sheakespeariana em seu teatro.
Todos que amam a arte do presente; todos que fazem parte de um grupo deveriam ver esse documentário- exemplo de persistência e elevação do teatro como uma religião, parte indispensável de sua vida; o grupo que percorre a estrada como uma verdadeira família, com filhos, casais formados dentro do próprio grupo.
No DVD você pode conferir a trajetória do grupo de seu início até as parcerias com grandes mestres como: Paulo José, Cacá Carvalho, dentre outros...
Assistir ao percursso do Galpão foi um imenso prazer em ser o espectador, o admirador da 4ª parede.
Parabéns Galpão!
Assisti a essa empreitada emocionante. E que história!
O DVD narra a trajetória desse que é considerado um dos maiores grupos de teatro do Brasil. Desde suas primeiras incursões com argentinos em worksops e oficinas e sua formação.
Artes circences, música, Teatro de Rua, drama rodriguiano, releituras de peças clássicas - Romeu & Julieta, O Inspetor Geral-, o que se tornaria uma marca do grupo, e sua apresentação no Globe Theater, primeiro grupo brasileiro a fazer uma apresentação de Sheakespeariana em seu teatro.
Todos que amam a arte do presente; todos que fazem parte de um grupo deveriam ver esse documentário- exemplo de persistência e elevação do teatro como uma religião, parte indispensável de sua vida; o grupo que percorre a estrada como uma verdadeira família, com filhos, casais formados dentro do próprio grupo.
No DVD você pode conferir a trajetória do grupo de seu início até as parcerias com grandes mestres como: Paulo José, Cacá Carvalho, dentre outros...
Assistir ao percursso do Galpão foi um imenso prazer em ser o espectador, o admirador da 4ª parede.
Parabéns Galpão!
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Crítica: Entrails
Bem - Vindo ao Caos
Acaba de sair do forno Entrails, primeiro álbum da banda Umbilichaos. O trabalho foi gravado por Bernardo Pacheco ( Elma, Are You God?, Ratos de Porão, Presto), mixado e masterizado por Henrique Pucci (Paúra, Fim do Silêncio, Desalmado).
Muitas perguntas rondarão a cabeça, e muita reflexão será resultado certo da experiência som/imagem causada por este trabalho. À começar pelo belo encarte, que traz na capa o desenho de... um rosto?, uma vagina?, uma garganta?. Abra a caixinha e ponha para tocar o... EP?, LP?. Bom, são três faixas, sendo que duas alcançam quase a marca de vinte minutos! o que não é nem um pouco ruim, devido a viagem proporcionada por tais.
É hora do som! Space Rock, Stoner, Progressivo... Podem se mesclar infindáveis referências numa massa sonora cheia de personalidade, autêntica, original. Você sente as influências, mas não consegue decifrá- las, pois vagam pela atmosfera do disco, no ar, sem que possamos tocar.
A sensação que se tem ao ouvir Entrails é a de levar um soco no estômago, lento e constante, de punhos tão cerrados que a ponta dos dedos sangra a própria pele do agressor como se fosse ao mesmo tempo uma briga e auto-punição. O soco atravessa a pele e a palma da mão se abre, passando pelos órgãos sem tocá- los, com movimentos sutis, limpos e precisos. Então a mão se abre e as pontas dos dedos começam a corroer os ossos com unhas enormes e afiadas, em movimentos repetitivos, mecânicos. Os punhos abrem e fecham revelando a cada baforada esfumaçante do agressor uma nova dose de adrenalina que faz com que um mantenha o outro de pé, pois um depende do outro. A coexistência depende de um adversário, alguém em quem passar a rasteira e tirar a bandeira no topo, mantendo-se Deus por alguns segundos, antes que a fila dos prazeres umbilicais ande; sexo- brutal, feira de estupros coletivos em paisagens desoladoras, repletas de destroços e harmonizada por gritos desesperados, de uma mórbida esperança.
Estes são alguns dos sentidos causados; uma viagem, uma leitura provocada por Entrails. Muito mais que guitarras, baixo e bateria (eletrônica); um sentido de vida, uma viagem profunda adentro a alma dissecada de um artista. Esta é a Umbilichaos, em algum porão fazendo "barulho", no subterrâneo, infelizmente à mercê de uma cidade inóspita no que se refere espaço para a arte local.
Entre no myspace da banda e ouça "Speculum Phase". Baixe o ábum, divulgue, pirateie, e tenha algo decente do que se orgulhar. www.myspace.com/umbilichaos
Acaba de sair do forno Entrails, primeiro álbum da banda Umbilichaos. O trabalho foi gravado por Bernardo Pacheco ( Elma, Are You God?, Ratos de Porão, Presto), mixado e masterizado por Henrique Pucci (Paúra, Fim do Silêncio, Desalmado). Muitas perguntas rondarão a cabeça, e muita reflexão será resultado certo da experiência som/imagem causada por este trabalho. À começar pelo belo encarte, que traz na capa o desenho de... um rosto?, uma vagina?, uma garganta?. Abra a caixinha e ponha para tocar o... EP?, LP?. Bom, são três faixas, sendo que duas alcançam quase a marca de vinte minutos! o que não é nem um pouco ruim, devido a viagem proporcionada por tais.
É hora do som! Space Rock, Stoner, Progressivo... Podem se mesclar infindáveis referências numa massa sonora cheia de personalidade, autêntica, original. Você sente as influências, mas não consegue decifrá- las, pois vagam pela atmosfera do disco, no ar, sem que possamos tocar.
A sensação que se tem ao ouvir Entrails é a de levar um soco no estômago, lento e constante, de punhos tão cerrados que a ponta dos dedos sangra a própria pele do agressor como se fosse ao mesmo tempo uma briga e auto-punição. O soco atravessa a pele e a palma da mão se abre, passando pelos órgãos sem tocá- los, com movimentos sutis, limpos e precisos. Então a mão se abre e as pontas dos dedos começam a corroer os ossos com unhas enormes e afiadas, em movimentos repetitivos, mecânicos. Os punhos abrem e fecham revelando a cada baforada esfumaçante do agressor uma nova dose de adrenalina que faz com que um mantenha o outro de pé, pois um depende do outro. A coexistência depende de um adversário, alguém em quem passar a rasteira e tirar a bandeira no topo, mantendo-se Deus por alguns segundos, antes que a fila dos prazeres umbilicais ande; sexo- brutal, feira de estupros coletivos em paisagens desoladoras, repletas de destroços e harmonizada por gritos desesperados, de uma mórbida esperança.
Estes são alguns dos sentidos causados; uma viagem, uma leitura provocada por Entrails. Muito mais que guitarras, baixo e bateria (eletrônica); um sentido de vida, uma viagem profunda adentro a alma dissecada de um artista. Esta é a Umbilichaos, em algum porão fazendo "barulho", no subterrâneo, infelizmente à mercê de uma cidade inóspita no que se refere espaço para a arte local.
Entre no myspace da banda e ouça "Speculum Phase". Baixe o ábum, divulgue, pirateie, e tenha algo decente do que se orgulhar. www.myspace.com/umbilichaos
Sonho de uma Noite de Outono
Aguardou 5 minutos. Seus olhos ameaçavam aguar ao menor sinal de um passo, ainda que distante. Já era então uma eternidade para aquela situação.
Tinham se conhecido através de um site de relacionamentos, e já eram tão íntimos! Talvez um conhecesse ao outro melhor do que á si mesmo, tamanhas eram as revelações segregadas nos teclados.
Mas agora, finalmente se conheceriam, depois de 2 anos de bate- papo e fotos para depertar os sentidos.
No sétimo minuto, a imagem de uma das fotos começou a se mover em seus pensamentos e aquele corpo escultural disparava cada vez mais a frequência cardíaca, enquanto se movia sensualmente na fertilidade de sua imaginação...
Com isso Pepe começou a tremer, tamanho seu nervosismo. Foram á cama despidos e praticaram em celeste comunhão o ato sexual. Pepe suava freneticamente, afinal, jamais tivera uma mulher e isso já podia ser considerado o mais próximo que jamais conseguira em 32 anos de existência; um encontro.
De repente, um vestido vermelho apontou no horizonte. Era vermelho, como de combinado!
Tremia, suava ,e seus olhos se afogavam em lágrimas..... frágil e puro Pepe...
O vestido veio em passos compassados e lentamente na direção de um Pepe já embriagado e descontrolado pelo nervosismo. Um metro de um sonho, Pepe curvado, torto, quase beijava o banco que o sustentava. O perfume alcançou sua narinas; desequilíbrio e um abraço doloroso no chão do velho bosque.
O vestido passou lento, assustado e diretamente por um homem pálido e franzino, de olhos esbugalhados e fundos contorcido em meio ás folhas secas do outono, com sua ponte de safena estourada e um sorriso que mal cabia no rosto lavado a suor e lágrimas emocionadas.
Tinham se conhecido através de um site de relacionamentos, e já eram tão íntimos! Talvez um conhecesse ao outro melhor do que á si mesmo, tamanhas eram as revelações segregadas nos teclados.
Mas agora, finalmente se conheceriam, depois de 2 anos de bate- papo e fotos para depertar os sentidos.
No sétimo minuto, a imagem de uma das fotos começou a se mover em seus pensamentos e aquele corpo escultural disparava cada vez mais a frequência cardíaca, enquanto se movia sensualmente na fertilidade de sua imaginação...
Com isso Pepe começou a tremer, tamanho seu nervosismo. Foram á cama despidos e praticaram em celeste comunhão o ato sexual. Pepe suava freneticamente, afinal, jamais tivera uma mulher e isso já podia ser considerado o mais próximo que jamais conseguira em 32 anos de existência; um encontro.
De repente, um vestido vermelho apontou no horizonte. Era vermelho, como de combinado!
Tremia, suava ,e seus olhos se afogavam em lágrimas..... frágil e puro Pepe...
O vestido veio em passos compassados e lentamente na direção de um Pepe já embriagado e descontrolado pelo nervosismo. Um metro de um sonho, Pepe curvado, torto, quase beijava o banco que o sustentava. O perfume alcançou sua narinas; desequilíbrio e um abraço doloroso no chão do velho bosque.
O vestido passou lento, assustado e diretamente por um homem pálido e franzino, de olhos esbugalhados e fundos contorcido em meio ás folhas secas do outono, com sua ponte de safena estourada e um sorriso que mal cabia no rosto lavado a suor e lágrimas emocionadas.
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